Experiência "Sono" da Rússia

Pesquisadores Russos, no final dos anos 40, deixaram cinco pessoas acordadas por quinze dias, usando um gás experimental como estimulante. Eles foram mantidos em um ambiente selado, e monitorando o oxigênio deles, para que o gás não os matasse, já que possuía altos níveis de toxina concentrada. Para observá-los, havia um circuito interno de câmeras com microfones de cinco polegadas (Aproximadamente 12 cm) e janelas menores que janelas de vigia dentro do ambiente. A câmara estava cheia de livros e berços para dormir, mas sem lençóis, água corrente e banheiro; também havia comida seca para todos os cinco que duraria um mês.
As cobaias do teste eram prisioneiros políticos declarados inimigos do Estado durante a Segunda Guerra Mundial.
Tudo estava bem nos primeiros 5 dias, as cobaias dificilmente reclamavam, já que haviam sido avisados (falsamente) de que seriam libertados se participassem do teste e não dormissem por 30 dias. Suas conversas e atividades eram monitoradas, e foi notado que elas conversavam constantemente sobre incidentes traumáticos no passado, e o tom geral da conversa tomou um tom sombrio a partir do 4º dia.
Depois de cinco dias, as cobaias começaram a reclamar das circunstâncias e eventos que os trouxeram à atual situação e começaram a demonstrar paranóia severa. Elas pararam de falar um com os outros e de começaram a sussurar alternadamente nos microfones e a bater nas vigias. Estranhamente eles pensavam que poderiam conseguir a confiança dos cientistas ao se tornarem seus colegas, e tentavam conquistá-los. No começo, os pesquisadores suspeitaram que se tratava de algum efeito do gás...
Depois de nove dias, o primeiro deles começou a gritar. Ele corria por toda a extensão da câmara gritando a plenos pulmões por 3 horas seguidas. Ele continuou a gritar, mas só conseguia produzir alguns grunhidos. Os pesquisadores acreditaram que ele conseguira fisicamente romper suas cordas vocais. O mais surpreendente desse comportamento foi como os outros reagiram a isso... ou não reagiram. Eles continuaram a sussurrar nos microfones até que o segundo prisioneiro começou a gritar. Os que não gritavam pegaram os livros disponíveis, arrancando página atrás de página e começaram a colá-las sobre o vidro das vigias usando as próprias fezes. Os gritos logo pararam.
Mais 3 dias se passaram. Os pesquisadores checavam os microfones de hora em hora para ter certeza de que funcionavam, já que pensavam ser impossível que 5 pessoas não poderiam estar produzindo som algum. O consumo de oxigênio indicava que as 5 pessoas ainda estavam vivas. Na verdade, acontecera um aumento no oxigênio, indicando um nível que 5 pessoas teriam consumido após exercícios pesados. Na manhã do 14º dia, os pesquisadores usaram um interfone dentro da câmara, esperando alguma reação dos prisioneiros, que não estavam dando sinais de vida, e os cientistas acreditavam que estavam mortos ou vegetando.
Eles disseram: “Estamos abrindo a câmara para testar os microfones, fiquem longe da porta e deitem no chão ou atiraremos. A colaboração dará a um de vocês liberdade imediata.”
Para a surpresa de todos, alguém respondeu calmamente em uma única frase: “Não queremos mais sair.”
Discussões começaram a surgir entre os pesquisadores e as forças militares que criaram a pesquisa. Não conseguindo mais resposta alguma através do interfone, foi finalmente decidido abrir a porta à meia-noite do 15º dia. O gás estimulante foi retirado da câmara e substituído por ar fresco, imediatamente vozes vindas dos microfones começaram a reclamar. Três vozes diferentes imploravam pela volta do gás, como se pedissem para que poupassem a vida de alguém que amassem. A câmara foi aberta e soldados entraram para retirar as cobaias. Elas começaram a gritar mais alto do que nunca, e o mesmo fizeram os soldados quando viram o que tinha dentro.
Quatro das cinco cobaias estavam vivas, embora ninguém pudesse descrever o estado deles como “vivos". As rações a partir do dia 5 não haviam sido tocadas. Havia pedaços de carne vindas do peito e das pernas tapando o ralo no centro da câmara, bloqueando-o e deixando 4 polegadas (10cm) de água acumulando no chão. Nunca determinou-se o quanto dessa água era na verdade sangue.
Os quatro “sobreviventes” do teste também tinham grandes porções de músculo e pele extraídos de seus corpos. A destruição da carne e ossos expostos na ponta de seus dedos indicava que as feridas foram feitas à mão, e não por dentes como se pensava inicialmente. Um exame mais delicado na posição das feridas indicou que alguns, senão todos, ferimentos foram auto-induzidos. Os órgãos abdominais abaixo da costela das quatro cobaias havia sido removido. Enquanto o coração, pulmões e diafrágma estavam no lugar, a pele e a maioria dos órgãos ligados à costela haviam sido removidos, expondo os pulmões através delas. Todos os vasos sanguíneos e órgãos remanescentes permaneceram intactos, eles só haviam sido retirados e colocados no chão, rodeando os corpos eviscerados, mas ainda vivos das cobaias. Podia-se ver o trato digestivo dos quatro trabalhando, digerindo comida. Logo ficou aparente que o que estava sendo digerido era a própria carne que eles haviam arrancado e comido durante os dias.
A maioria dos soldados ali presentes eram das operações especiais russas, mas muitos se recusaram a voltar à câmara e remover as cobaias. Elas continuaram a gritar para serem deixadas ali e também pediam para que o gás voltasse. Pelo menos elas não dormiriam.
Para a surpresa de todos, as cobaias ainda lutaram durante o processo de serem removidas da câmara. Um dos soldados russos morreu ao ter sua gargante cortada, e outro foi gravemente ferido ao ter seus testículos arrancados e uma artéria da sua perna atingida pelos dentes de uma das cobaias. Outros cinco soldados perderam suas vidas, se você contar os que se mataram semanas depois do incidente.
Durante a luta, um dos quatro sobreviventes teve seu baço rompido, e ele começou a perder muito sangue quase que imediatamente. Os pesquisadores médicos tentaram sedá-lo mas foi impossível. Ele havia sido injetado com mais de dez vezes a dose normal de morfina para humanos e ainda lutava como um animal, quebrando as costelas e o braço de um médico. Houve um ponto em que seu coração bateu fortemente por dois minutos, após ele ter sangrado tanto ao ponto de ter mais ar em seu sistema vascular do que sangue. Mesmo depois do coração ter parado, ele ainda continuava a gritar e a lutar por 3 minutos, gritando a palavra “MAIS” sem parar até ficar fraco e finalmente calar-se.

O terceiro sobrevivente estava muito contido e foi levado para um consultório, os outros dois com as cordas vocais intactas continuavam a implorar pelo gás para serem mantidos acordados...

O mais ferido dos três foi levado para a única sala cirúrgica que ali havia. Durante o processo de preparar a cobaia para receber seus órgãos de volta, foi descoberto que ela era totalmente imune ao sedativo que estavam dando a ele. O homem lutou furiosamente contra as amarras que o prendiam à cama quando trouxeram gás anestésico para sedá-lo. Ele conseguiu rasgar mais de 4 polegadas (10cm) de couro das amarras de um dos pulsos, mesmo com um soldado de 90kg segurando o mesmo pulso. Levou mais do que o necessário de anestésico para sedá-lo, e na mesma hora em que suas pálpebras se fecharam, seu coração parou. Na autópsia foi revelado que seu sangue possuía o triplo do normal de oxigênio. Os músculos que estavam presos aos seus ossos estavam destruídos, e ele havia quebrado 9 ossos na luta para não ser sedado. A maioria eram pela força que seus próprios músculos haviam exercido.

O segundo sobrevivente era o que primeiro que começara a gritar entre os cinco. Suas cordas vocais estavam destruídas, e ele não era capaz de gritar e implorar para não passar por cirurgia, e a única forma de reação que ele exibia era sacudir sua cabeça violentamente em desaprovação quando o gás anestésico foi trazido. Ele balançou sua cabeça positivamente quando alguém sugeriu, relutantemente, se os médicos aceitavam fazer a cirurgia sem a anestesia. O sobrevivente não reagiu durante as 6 horas de procedimentos para repor seus órgãos e tentar cobrí-los com o que restou de pele. O cirurgião de plantão repetia várias vezes que era medicamente possível o paciente estar vivo. Uma enfermeira aterrorizada que assistia à cirurgia constatou que vira a boca do paciente virar um sorriso toda vez que seus olhos se encontraram.

Quando a cirurgia acabou, o paciente olhou para o cirurgião e começou a grunhir alto, tentando falar enquanto lutava. Acreditando ser algo de extrema importância, o médico pegou uma caneta e papel para que o sobrevivente escrevesse sua mensagem, “Continue cortando.”

Os outros dois sobreviventes passaram pela mesma cirurgia, os dois sem anestésico. Mas ambos tiverem um paralisante injetado durante a operação, pois o cirurgião achou impossível continuar o procedimento enquanto os pacientes se debatiam histericamente. Uma vez paralisados, as cobaias só podiam acompanhar o procedimento com os olhos, mas logo o efeito do paralisante passou e em questão de segundos eles começaram a lutar contra suas amarras. Quando perceberam que podiam falar novamente, começaram a pedir pelo gás estimulante. Os pesquisadores tentaram perguntar por que eles haviam se ferido, por que haviam arrancado as próprias entranhas, e por que queriam tanto aquele gás.

Uma única resposta foi dada: “Eu preciso ficar acordado.”

Todas as três cobaias sobreviventes foram colocadas de volta na câmara, enquanto esperavam alguma resposta para o que seria feito com elas. Os pesquisadores, encarando a ira dos “benfeitores” militares, por terem falhado em seus objetivos, consideraram a eutanásia aos pacientes. O comandante do processo, um ex-KGB, viu algumas possibilidades, e quis que as cobaias fossem colocadas novamente sob o gás estimulante. Os pesquisadores se recusaram fortemente, mas não tiveram escolha.

Em preparação para serem seladas novamente na câmara, as cobaias foram conectadas a um monitor EEG (Eletroencefalograma, que mede as ondas cerebrais), e tiveram suas extremidades acolchoadas em troca do confinamento. Para a surpresa de todos, todos os três pararam de lutar assim que souberam que seriam colocados de volta ao gás.
Era óbvio que até aquele ponto, os três estavam lutando para ficarem acordados. Um dos sobreviventes que podia falar estava cantarolando alto e continuamente; a cobaia calada estava tentando soltar suas pernas das amarras com toda a sua força; primeiro a esquerda, depois a direita, depois a esquerda novamente, como se quisesse se focar em algo.

A cobaia restante estava mantendo sua cabeça longe de seu travesseiro e piscando rapidamente. Como fora o primeiro a ser conectado ao EEG, a maioria dos pesquisadores estava monitorando suas ondas cerebrais. Elas estavam normais na maioria das vezes, mas às vezes se tornavam uma linha reta, sem explicação. Era como se ele estivesse sofrendo mortes cerebrais constantes. Enquanto se focavam no papel que o monitor soltava, apenas uma enfermeira viu os olhos do paciente se fecharem assim que sua cabeça atingiu o travesseiro. Suas ondas cerebrais mudaram para aquelas de sono profundo e então tornaram-se uma linha reta pela última vez enquanto seu coração parava na mesma hora.

A única cobaia que podia falar começou a gritar. Suas ondas cerebrais mostravam as mesmas linhas retas que o paciente que acabara de morrer. O comandante deu a ordem para ser selado dentro da câmara com as duas cobaias e mais três pesquisadores. Assim que entraram na câmara, um dos pesquisadores pegou sua arma e atirou entre os olhos do comandante, depois voltou para a cobaia muda e também atirou em sua cabeça.

Ele apontou sua arma para o paciente restante, ainda preso à cama enquanto os outros pesquisadores saíam da sala. “Eu não quero ficar preso aqui com essas coisas! Não com você!” ele gritou para o homem amarrado “O QUE É VOCÊ?” ele ordenou “Eu preciso saber!”

“Você se esqueceu?” O paciente perguntou “Nós somos você. Nós somos a loucura que vaga em todos vocês, implorando para sermos soltos toda vez dentro de sua mente animal. Nós somos aquilo de que vocês se escondem em suas camas toda noite. Nós somos aquilo que vocês sedaram no silêncio e paralisam quando vocês atingem o paraíso noturno do qual não podem sair.”

O pesquisador ficou quieto. E então mirou no coração do paciente e atirou.

O EEG tornou-se uma linha reta enquanto o paciente gaguejava “tão...perto...livre...”




funnymouth

*Funnymouth entrou #ReferSales.
Funnymouth: Olá a todos esta noite
Funnymouth: Eu gosto de lamber o sangue (bluud)
Funnymouth: de pessoas
Funnymouth: eu vejo seu rosto bonito, não fique triste com isso.
Funnymouth: vamos lá
Funnymouth: :)
* Funnymouth deixou #ReferSales.
GhostJeorge: ... Puta merda, que porra.
Lemonlimeskull: Será que isso aconteceu?
GhostJeorge: Sim, Skull. Sim realmente aconteceu.

A primeira coisa que eu provavelmente deveria dizer é que eu sou "lemonlimeskull". Em outras palavras, esse é o meu nome de tela lá em cima.
Essa foi a primeira vez que eu vi ou ouvi falar de "funnymouth", e para todos os efeitos, pensei que fosse a última. Qualquer um que tenha passado tempo suficiente conversando em chats sabe que esquisitos vêm e vão. O pessoal aparece para fazer perguntas insanas ou simplesmente para trollar uma sala cheia.
O que primeiro me pareceu estranho sobre o cara (funnymouth), no entanto, foi o fato de que ele veio e se foi sem objetivo particular. Ele não tentou irritar ninguém e não perguntou se alguém na sala sabia como consertar seu computador ou remover um vírus.
Ele simplesmente surgiu, soltou um texto aleatório e felizmente saiu fora.

lemonlimeskull: Então, que inferno foi isso?
GhostJorge: Não tenho ideia.
lemonlimeskull: Ele está em outro canal, se você quiser descobrir.
lemonlimeskull: #bluud
GhostJorge: Eu não, senhor.
lemonlimeskull: XD
lemonlimeskull: cadela.

Eu não sei quais resultados eu esperava em seguir esse cara até o outro canal. Eu não sou do tipo que saio do meu caminho para irritar ou discutir com as pessoas. Eu normalmente evito isso a todo custo, no entanto, uma vez que alguém começa comigo eu não me importo em me meter a esse ponto.
Eu acho que o que eu estou dizendo é que eu não tenho ideia porque eu persegui este.

* Lemonlimeskull entrou #BLUUD
lemonlimeskull: Hey.
funnymouth: O) _ (O
lemonlimeskull: :)
lemonlimeskull: Então ...
funnymouth: O) _ (O
lemonlimeskull: Então ... Você está me encarando.
lemonlimeskull: Isso é rude.
funnymouth: desculpa
funnymouth: eu apenas faço isso
funnymouth: não tem problema
lemonlimeskull: Entendo.
funnymouth: O) _ (O

Eu realmente ri em voz alta neste momento. Ele era estranho e inofensivo.

lemonlimeskull: Você pode voltar para #ReferSales se quiser.
lemonlimeskull: Nós não iremos te expulsar, se é com isso que está preocupado
funnymouth: O) _ (O
lemonlimeskull: Ou não.
lemonlimeskull: Enfim, cara, você só parecia interessante e eu estou entediado hoje.
funnymouth: eu estou entediado também
funnymouth: Eu nunca faço
lemonlimeskull: ... Você nunca faz o quê?
funnymouth: Eu nunca faço, é isso
funnymouth: Eu nunca faço porque eles não fazem e, em seguida,
funnymouth: Eu fico bobo
lemonlimeskull: O-kay. Bem, vejo você por ai.
funnymouth: O) _ (O

E com isso, eu saí. O ato ficou velho rapidamente, e eu senti que isso ou era alguém realmente tentando, ou um idiota legítimo que não tinha conhecimento de como usar corretamente um programa de bate-papo. Sentado sozinho de braços cruzados e entrando em outros canais por uma fração de segundo parecia uma tentativa desesperada por atenção. Eu já tinha feito isso e ri pra caramba em torno dos anos 90, mas era... estúpido.

GhostJorge: Hmm?
lemonlimeskull: Nada. Eu seriamente não sei o que ele estava dizendo.
GhostJorge: Ha. Bem-vindo à internet.
lemonlimeskull: O que é triste é que, além de você e eu, ele é o único usuário ativo aqui
* Lemonlimeskull chuta Killjay e grita "ACORDE !!!"
lemonlimeskull: Blah.

O silencio dominou o canal por cerca de meia hora enquanto eu minimizei a janela e fui fazer minhas coisas

Lemonlimeskull: Alguém on?

Nada. Oito usuários no canal, nem um ativo.

lemonlimeskull: CHATO!
lemonlimeskull: Por que vocês são tão chatos?
funnymouth: O) _ (O
lemonlimeskull: ACORDEM.
* Lemonlimeskull coloca a mão de todos em uma bacia de água morna.

Demorou alguns segundos para ver isso. Funnymouth novamente, encarando novamente. Eu fisicamente tombei meus ombros com um suspiro “Esse merda de novo”.
Quando percebi que ele não estava no canal

lemonlimeskull:?
lemonlimeskull: ...
lemonlimeskull: Alguém mais viu?
lemonlimeskull: Claro que não, porque vocês estão inativos.

Obviamente que fora uma falha do meu cliente ou do servidor. A mensagem tinha retornado de mais cedo, aleatoriamente. Essas coisas acontecem.
Ainda assim, isso me assustou.

Depois de uns minutos sentado, com um sentimento estranho e frio no estomago, tipo “eu não deveria ter feito algo”, eu decidi parar de tentar enfrentar isso e fechei o bate-papo.
Claro, eu poderia apenas ter ficado de boa como se tudo estivesse bem, mas pra que me incomodar tentando provar que eu não estava assustado? Inferno, não tinha ninguém em volta pra me ver escapulindo.
Depois de algumas horas na web, fui pra cama, em torno de 02h40min.

Uma coisa que eu sempre me orgulhei é que eu não tenho pesadelos, pelo menos não regularmente. Normalmente, se há monstros, fantasmas ou guerras nucleares em meus sonhos, eu consigo controla-los e tenho um ótimo sonho. Atirando na cara de zumbis, dizendo a fantasmas que eles não são reais, enquanto eu rio deles e, se há algum desastre, eu sempre sei como chegar ao local seguro enquanto todos os outros filhos da p*ta fritam. Eu tive talvez uns quatro pesadelos reais nos últimos dez anos e, sim, estou falando sério.

O primeiro pesadelo da minha vida adulta fora em 2005, eu tinha acabado um relacionamento com alguém que esteve por mais de um ano em minhas costas. Naquela noite, quando eu finalmente consegui dormir, sonhei que estava amarrado em uma mesa cirúrgica, enquanto uma criatura inexplicável e invisível sugava meu cérebro através de uma maquina orgânica.
O cérebro gritou, incessantemente.

O segundo pesadelo foi comigo visitando um centro médico onde eles estavam experimentando novos métodos de salvar vidas. Houve um passeio fantástico por este fantástico centro de alta tecnologia, muitas maravilhas da ciência moderna, pessoas em jalecos, etc., então, eu fui levado pra uma sala onde três vitimas de acidente de carro tinham sido “salvos” por suas técnicas. Isso incluía uma jovem cuja face estava pendurada em seu peito, e uma mulher que não passava de um aglomerado de membros decepados e contraídos.

O terceiro veio logo após o segundo. Eu estava sendo abordado por duas pessoas. Uma queria me insultar sem fim e outra que tentava me beliscar de maneira absurdamente ineficaz. Pensando que eu podia controlar esse sonho como os outros, eu coloquei um contra o outro, pensando que seria uma espécie de justiça poética. Em vez disso, o que beliscava se tornou cada vez mais violento, puxando as bochechas do outro, agarrando sua língua com um punho e puxando furiosamente, até que sua língua saiu. Então ele puxou as pálpebras do companheiro até que elas se distendessem em um tipo de prolapso grotesco.

Quero dizer que quando eu tive pesadelos, eu nunca fui o alvo real de qualquer tipo de horror. Sempre foi uma espécie de horror empático relacionado a alguém sendo brutalizado.

Esta noite, porém, foi diferente. Assim que adormeci, comecei a sonhar. Basicamente foi um sonho recorrente que tenho, onde estou na floresta, apenas verificando animais e pássaros, tranquilamente. Deito na grama e olho para o céu. É sempre um sonho que agradeço porque mesmo que eu tenha tido um dia ruim, eu vou acordar feliz e pronto pra recomeçar.

Desta vez, o script mudou. Deitei na grama, mas enquanto eu olhava o céu, senti algo estranho.
Foi uma sensação fria, se contorcendo no meu pescoço.
No sonho, eu alcancei meu pescoço e tirei uma longa minhoca. Tenho nojo. Se eu vir uma no quintal, pegarei uma pá e a soterrarei com um montão de terra, para não poder vê-lo novamente.
Com nojo, mas um pouco satisfeito, lancei a minhoca para o lado e continuei meu sonho.
Então... Aquela sensação novamente. Úmida, molhada, se debatendo contra a lateral de meu pescoço, puxei outra minhoca.
Novamente, aconteceu.
Na terceira vez, o sentimento de confusão e temor tornou-se tão esmagador que eu imediatamente me tirei do sonho. Isso é o que geralmente quando a merda fica real em meus sonhos. Fim de jogo.

Eu resolvi isso, ao menos achei que tinha. No mundo real, eu senti meu pescoço e senti algo liso e viscoso na minha pele. Obviamente eu devo ter babado durante o sono. Nada do que se orgulhar, mas nada de aterrorizante, também. Minha mente sonhadora deve ter traduzido essa sensação pegajosa em uma criatura apropriada na floresta do sonho.
Talvez o mais preocupante fosse o fato de que na cama, ao meu redor, pareciam ter marcas. Quatro, pra ser exato, quase como se alguém tivesse se apoiado com as mãos e joelhos, sobre mim, enquanto eu dormia.
Havia uma série de razões poderiam ter acontecido, mas a partir de então, naquela noite, eu tive um sono leve, qualquer coisinha, como o som de um ventilador de teto, me acordava imediatamente. Eu não tinha nenhum interesse em voltar para aquela floresta.

Quando a manhã chegou, eu estava pronto pra sair de casa e sacudir as teias de aranha. Eu tinha apenas planejado checar meus e-mails rapidamente pra ter certeza de que não haviam transações pendentes ou perguntas a responder.

Surpresa!

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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 as 02:42
Para: Charles Watts

Eu tive um bom momento falando com você e seria legal de novo, você verá que eu não gosto de parar.
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Como você deve lembrar, eu não havia dado meu e-mail para este babaca. No entanto, resposta lógica, alguém do meu canal deve ter dado. Obviamente ele voltou para #ReferSales, perguntou à alguém quem eu era, e algum babaca me traiu completamente, sabendo que eu não dou minhas informações de contato pessoal.
Embora...
O e-mail estava datado as 2:40. Isso foi quase o horário que eu fui pra cama, quando todos no canal estavam inativos.
Mesmo que eu realmente soubesse que se tratava de um tipo de isca, eu respondi.

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De: Charles Watts Sab, 17 de novembro de 2012 as 09:29
Para: funnymouth@bluud.com

Uhhhm, então bro. Não estou exatamente certo de que eu quero que você me mande e-mails.
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Fui claro e direto ao ponto. Não tinha dúvida sobre a mensagem que eu estava enviando e apesar de ter sido seco, não estava incitando-o a responder, iniciando uma guerra de insultos. Mas é claro...

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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 às 9h30
Para: Charles Watts

Ah, vamos lá, não fique tão triste quanto a isso.
Sei que você pode gostar e nós iremos nos divertir por muito tempo
Está tudo bem mesmo
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E com isso eu bloqueei seu endereço. Realmente, eu deveria ter feito isso em primeiro lugar, mas eu tinha um interesse doentio em saber exatamente onde isto estava indo. Talvez se eu batesse meu pé, ele admitira que estivesse apenas me sacaneando e me chamaria de sem graça. Quando eu vi que era apenas aquela mesma merda, isto me deu a luz verde pra seguir em frente e bloquear o cara.

Por que vale a pena, você pode relaxar agora. O bloqueio. Não havia nenhuma mensagem acompanhando que pudesse contornar o ban.

Depois de alguns minutos, eu me assegurei que estava tudo acabado e segui meu dia. Não estava, cheguei em casa ao anoitecer, com aquela sensação fria se contorcendo em meu estomago, novamente... e eu não tinha ideia do porquê.
Bom, isso não era inteiramente verdade, eu tinha alguma ideia.

Eu chequei meu e-mail

Nada de “funnymouth”, no entanto, havia um e-mail do Jorge.

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De: Jorge G Sab, 17 de novembro de 2012 as 14:03
Para: Charles Watts

Ei,
Refersales.com tá zoando, eu não consigo carregar essa merda.
Quando estiver online, por favor, dê uma olhada o mais rápido possível.

Paz e Cenouras,
Jorge
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Deixei escapar uma série de palavrões. O canal desconectado significa perda de vendas e eu tinha ficado o dia todo fora, não havia como o Jorge me chamar. Se eu tivesse sido menos rigoroso quanto minhas informações pessoais, ele poderia ter me ligado.
Eu abri o site e esperei por algum tipo de tela de erro, em vez disso, começou a redirecionar para outra página.

Bluud.com

 

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De: Charles Watts Sab, 17 de novembro de 2012 as18:15
Para: Jorge G

Sim, estou vendo. Está redirecionando para um site com uma cara gigante pixelada e uma língua zoada. Eu acho que tem a ver com aquele merdinha do funnymouth. Você passou meu e-mail para ele? Com o domínio junto?

C.W.
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De: Jorge G Sab, 17 de novembro de 2012 as18:23
Para: Charles Watts

É uma página 404, não um redirecionamento. Eu quero o que você está fumando. Tudo que eu vejo nesse site Bluud.com é um aviso "em breve".

Eu não dei nada a ninguém.

Jorge
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De: Charles Watts Sab, 17 de novembro de 2012 as18:25
Para: Jorge G

Har harhar. Engraçado.
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Então Jorge me enviou um screenshot por e-mail do site dando o erro 404, junto com o aviso “em breve” do Bluud.com.
Ele poderia ter facilmente ter forjado as imagens, mas por quê? Quero dizer, se isso era algum tipo de piada, era meio abstrato e eu não entendi.

Quando olhei meus arquivos do site, tudo estava normal, nada fora do lugar e ninguém tinha logado para mudar algo. Chequei os nomes de domínio, a coisa que direciona onde o domínio deveria ir... e nada estava fora do normal.
Ainda assim... havia esta face inchada, com a língua pendida, me encarando com suas órbitas vazias.
Então, eu não sei como eu não vi isso, em primeiro lugar...
Olhando de perto, a imagem da face não era realmente pixelada. Era feita de pequenas letras, códigos de HTML colorindo cada letra especificamente para a imagem.
Muitas e muitas vezes, a palavra que criava a imagem estava bem na minha frente.
"funnymouthfunnymouthfunnymouthfunnymouth" em um grande conjunto de nonsense.

Quase cuspi na tela

Eu desbloqueei seu endereço de e-mail e comecei a escrever uma mensagem incrivelmente profana e ameaçadora. Eu realmente não me importo se eu tenho o site de volta neste momento, eu só queria tirar tudo do meu peito para que eu pudesse me sentir no controle da situação novamente.

Antes que eu pudesse terminar o e-mail eu me senti aquela sensação estranha e assustadora de novo. Aquele sentimento “não, não poderia ser...” onde você sabe que é absurdo ao mesmo tempo em que sabe que está certo...
Eu parei de escrever minhas ameaças de morte e verifiquei meu inbox.

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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 às 19:00
Para: Charles Watts

Eu consigo ver seu belo rosto
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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 as19:00
Para: Charles Watts

Olá amigo
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De: funnymouth@bluud.com Sat, 17 de novembro de 2012 as19:01
Para: Charles Watts

Vamos lá
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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 as19:01
Para: Charles Watts

Olá
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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 as19:01
Para: Charles Watts

Olá OláOláaa
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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 as19:01
Para: Charles Watts

Eu não quero não
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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 as19:01
Para: Charles Watts

Eu não penso sobre isso, embora.
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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 as19:01
Para: Charles Watts

Eu vejo seu belo rosto
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Não só foi correto imaginar que ele havia me enviado o e-mail na hora em que o desbloqueei, mas parecia que ele estava me mandando e-mails sem parar desde a hora em que o havia bloqueado. Mais 10 e-mails chegaram dentro do tempo em que eu levei para respondê-lo.

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De: Charles Watts Sab, 17 de novembro de 2012 as19:00
Para: funnymouth@bluud.com

PARA COM ESSA PORRA!
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Eu estava com stress e dor de cabeça, meu coração estava disparado, não era medo, era raiva. Esta foi, provavelmente, a pessoa mais absurdamente irritante na internet, e isso é dizer muito.

Felizmente, a sequência de e-mails parou de fato.
Eu tentei me acalmar, respirei profundamente, mas pareceu não ter funcionado. Eu ainda estava incrivelmente puto, lentamente, metodicamente, enviei-lhe outro e-mail.

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De: Charles Watts Sab, 17 de novembro de 2012 as19:21
Para: funnymouth@bluud.com

Oi.
Eu não entendi o que você está dizendo e não entendo o que você quer. Eu acho que pode haver uma barreira de idioma, sua língua nativa é o português?
Eu acho que você fez algo com meu site e eu gostaria que desfizesse.
Se você está com raiva de mim, eu não tive a intenção de que isso acontecesse, você pode ter entendido mal o que eu disse ou o que quis dizer.
Por favor, altere meu site de volta e vamos seguir nossos caminhos separados.

Obrigado,
C.W.
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Esperei.
Pensei sobre como havia conquistado minha raiva, e que esta resposta fora a melhor maneira de dizer isso a ele. Este companheiro iria entender o que eu quis dizer, ele percebeu o erro que cometeu.
Me acalmei, tudo ia ficar bem.
Então...

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De: funnymouth@bluud.com Sab, 17 de novembro de 2012 as19:23
Para: Charles Watts

O) _ (O
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Fui ao teto
Fui ao teto e atravessei-o
Eu bati no monitor com a palma de minha mão, batendo pra fora da mesa. Isso me irritou ainda mais, enquanto eu esmurrava meu teclado até as teclas voarem. Eu gritei uma mistura de frustação comigo mesmo e raiva sobre a situação e sai do quarto, derrubando tudo que pudesse por minhas mãos.
Pelo quanto pude controlar a energia, eu estava devastado em minha própria merda, teria queimado a porra do lugar se tivesse um isqueiro na mão.

Naquela noite, eu olhei para o teto pelo que pareceu uma eternidade antes do sono vir. Esperando para dormir, sabia que teria um pesadelo... Apenas sabia.
Foi assim que minha sorte se foi. Imagine como fiquei surpreso, mesmo durante o sono, quando, em vez de algum lugar horrível, eu estava em um lugar seguro... O bosque.

Eu deitei na grama novamente, me senti relaxado. Eu sabia, meu subconsciente sabia que tudo ficaria bem. Não importava os contratempos que a vida me trouxe, o mundo seguiria em frente, nada era permanente, tudo estava em transição, ninguém poderia realmente chegar a mim.

Eu senti algo se contorcendo em meu pescoço.

Não. Negativo. Nada poderia estragar isso agora. Eu ignorei a minhoca, ela que fosse embora.

Senti o movimento se contorcendo em direção a minha boca, agora, eu não conseguia me acordar. Todas as outras vezes eu era capaz de decidir acordar... mas parecia que essa oportunidade havia passado. Então, não era uma minhoca, era um dedo. Em seguida, outro e mais outro, até quatro deles, viscosos, se contorcendo, travaram em volta dos meus dentes, segurando meu maxilar inferior.

Não doeu quando isso aconteceu
Foi apenas... como uma espécie de “pop”. Mais pressão do que a dor.

Foi rápido e antes que eu soubesse o que estava acontecendo, já havia acabado.

Então eu consegui me forçar a acordar. Sentei-me e fique de pé, na escuridão completa. Tateando meu caminho pelas paredes, segui até o banheiro, então acendi a luz.
Eu estava diante do espelho, esfregando os olhos, já que a luz havia me cegado.
Olhei para o espelho por minutos a fio, sem nenhuma reação. Sem sentimentos. Sem pensamentos.

Então eu sorri.

Eu sorri o melhor que pude. Agora meu maxilar estava completamente quebrado, solto, dependurado em volta do pescoço. Minha língua pendia para fora, indiferente, como uma pegajosa lesma paralisada.

Meus dentes não estavam enraizados em nada, apenas em pedaços de carne e eu poderia retirá-los com a mão, sentindo um desconforto quase como picadas de agulha.

Eu ri, o som veio como um gorjeio de um dreno de esgoto.

Que belo rosto!

Que boca engraçada!

Uma funnymouth!

A funnymouth, funnymouth, funnymouth!

* Lemonlimeskull entrou #ReferSales.
lemonlimeskull: Eu vejo seu rosto belo.
lemonlimeskull: Não fique tão triste com isso!
lemonlimeskull: :)
GhostJeorge: Ei, onde diabos você estava?
GhostJeorge: Olá? Charles?
GhostJeorge: ...
lemonlimeskull: O) _ (O
* Lemonlimeskull deixou #ReferSales.


Via: Medo B


Amigos Para Sempre

Tudo começou numa briga, fui encurralado por vários caras e então ele apareceu. Eu me lembro até hoje, parecia que ele havia botado medo naqueles quatro caras, eu não sabia muito bem de onde aquele cara era mas ele me salvou de levar uma bela surra, então pra mim aquilo já bastava pra virarmos amigos. E quem diria que a partir daquele dia iriamos ser amigos durante mais de 3 anos? Só depois que fui descobrir que ele estudava na mesma escola que eu, o que era estranho porque eu nunca havia visto ele por lá. Seu nome era Andrew, porém eu sempre o chamava de Aj, que era só uma abreviatura para Andrew Johnson.
Anos foram se passando e nossa amizade só aumentava, desde o dia em que ele me salvou em uma briga já se passaram 15 anos, mas naquele dia ia completar 3 anos de amizade. Apenas eu tinha me lembrado então resolvi ligar pra ele naquela noite para irmos em algum lugar encher a cara e, quem sabe, arranjarmos algumas garotas. Aquela noite tinha sido incrível, deixei ele na frente da casa dele com meu carro e então voltei pra minha. No dia seguinte eu nem acordei para ir a escola, estava mal pela noite passada. Como eu estava morando sozinho não iria acontecer nada mesmo, porque eu não teria minha mãe enchendo o meu saco para eu ir para a escola, por mais que ela morasse na mesma rua que eu junto com meu pai e minha tia. 
Andrew morava com seu pai, e como aquele cara amava seu pai! Não sei se era pelo fato dele nunca ter conhecido a mãe dele que morreu em seu parto, porém aquilo nunca o abalou, claro que deve ter machucado ele muito, mas eu tinha certeza que ele havia superado a perda. Seu pai havia contado para ele quando viu que não tinha mais como esconder. Ele adorava contar histórias de sua vida pra mim, por isso eu o admirava muito, ele era aquele típico cara pacato porém se alguém pisasse no calo dele, ele iria revidar. Eu tinha certeza que a gente seria amigos para sempre, porém no dia da nossa formatura escolar, um cara o ameaçou e então ele quebrou o seu braço, eu não fiquei muito surpreso, ele sabia várias lutas marciais, e quando Andrew mandou ele ir embora, ele saiu com um olhar de raiva. Nem demos muita atenção para isso, porém no dia seguinte recebi uma ligação. 
"Venha aqui ver seu amiguinho implorar pela vida". Eu sabia que tinha a ver com aquele cara, então sem pensar duas vezes, com medo que fizessem algo com o meu amigo, peguei um taco de beisebol que eu tinha e segui em direção a casa dele. Chegando lá, vejo a porta arrombada, porém com uma cadeira fechando-a, talvez para as pessoas não pudessem ver o que estava acontecendo lá dentro. Entrei na casa e vi algo que mudaria minha vida para sempre. Andrew estava no meio de sua sala, morto, e sem os seus dois braços... Eu nunca vou entender como alguém poderia chegar a esse ponto, tamanha crueldade! Lágrimas escorriam de meus olhos e eu só conseguia ouvir meus gritos.
"Por que Deus, por que?"
E então eu vi sobre mesa um celular, era o celular de Andrew e nele havia uma gravação. Sem saber o que fazer, comecei a ver, temendo ser o que eu pensava. Sim, era a gravação do ato, eram quatro caras, talvez amigos do que Andrew tinha quebrado o braço. Não quis ver o resto, eu estava em choque, minhas pernas tremendo, então resolvi entregar aquilo para a polícia. Mas antes eu liguei para os nossos colegas e pedi para que nos encontrássemos na minha casa em uma hora. Eu não podia deixar nossa amizade ser em vão, nossa amizade tinha que ficar dentro de mim pra sempre, em meia hora eu havia limpado toda a casa dele jogando fora toda a droga que estava nela (Andrew era um viciado, porém havia abandonado as drogas a certo tempo). 
Então, depois de arrumar a casa dele, voltei para a minha e terminei de fazer um jantar, eu havia combinado com meus colegas pelo celular, disse que faria um jantar, eu não contei o verdadeiro motivo. Eu não tinha ligado para a polícia, só eu tinha visto, só eu sabia o que estava acontecendo.
Então, tocam minha campainha, eram praticamente todos nossos colegas, pedi para que sentassem a mesa e disse que era apenas um jantar. Após todos terem jantado, eu resolvi contar o que havia acontecido, disse que queria eternizar nossa amizade com Andrew, principalmente a minha. Eu sabia que, a partir daquele dia, ele sempre estaria dentro de mim.
Até hoje eu não entendo o motivo pelo qual acharem que eu matei o meu próprio amigo, a polícia também me tinha como principal suspeito até o dia que acharam aquela maldita filmagem. Eu tive que mudar de país, fazer novos amigos porque aqueles não eram amigos de verdade. Esse pequeno pedaço de papel e esse toco de lápis é o que me sobrou nesse lugar, não consigo aceitar que me trancaram aqui, eles acham que sou louco, não sei se foi pelo fato de terem achado que eu tramei a morte de meu amigo, ou pelo fato de o ingrediente daquela janta ser os pedaços do meu velho amigo... Não importa, sei que tenho a certeza que Andrew sempre estará dentro de mim...

Enviado por Pedro Jardim (PJ)


Meu namorado é mudo, mas eu posso ouvi-lo falando com alguém...

Meu namorado e eu nos conhecemos durante nosso último ano do ensino médio. Estávamos no clube de teatro, mais tarde descobri que ele estava lá apenas para ficar perto de mim. 
Ele sempre foi doce, dessa forma, um pouco tímido. Nós fomos a sua festa de aniversário uma noite. O resto é história. Mesmo com todas as brigas, desentendimentos, o que você quiser chamá-los, ele sempre esteve lá para mim. Eu estava pronta para passar o resto da minha vida com ele. Eu estava completamente cheia de amor no coração. Então, durante as férias de verão, após o nosso primeiro ano de faculdade, eu recebi um telefonema.

 "Olá, é a senhorita ---?" perguntou uma voz masculina.
"Sim", eu respondi. "Com quem estou falando?"

"Este é o Departamento de Polícia. Seu namorado se envolveu em um terrível acidente."

O que veio depois disso, eu não acho que eu poderia colocar em palavras. Eu experimentei a morte antes, mas nada poderia se comparar com o medo que senti naquele momento. No minuto em que cheguei ao meu carro, eu estava correndo para o hospital, empurrando a porta para estar ao seu lado. Mas quando eu cheguei, eu fui parada do lado de fora de sua porta. 

"Antes de entrar", disse o médico em voz baixa, com uma quantidade preocupante de simpatia em seus olhos, "Eu deveria deixá-la saber que existem sequelas duradouras do acidente." Calafrios escorriam meus braços e pescoço.

 "Durante a colisão, quando a cabeça dele bateu no volante, ele mordeu a língua, não fomos capazes de recolocá-la."

Disseram que ele não seria capaz de falar nunca mais, nem mesmo com anos de terapia. Ele teria que aprender ASL se ele quisesse se comunicar comigo de novo. Corri para o lado dele novamente e tomei seu rosto em minhas mãos, observando seus olhos se encherem de lágrimas. "Eu te amo", eu murmurei, uma e outra vez até que eu pude provar o salgado de minhas próprias lágrimas.

Em seguida, sua voz, seu rachado, gaguejando apenas uma série de grunhidos e gemidos se transformaram em soluços e ele gritou frustrado. Eu poderia vagamente entender o que ele estava tentando dizer. "Eu te amo." Era como um dono tentando treinar seu animal de estimação para falar. Ele simplesmente não conseguia fazer. E quanto mais tentava mais rápido foi o sinal sonoro, e mais enfermeiros vieram para tentar dominá-lo. Lutaram até eles colocarem uma seringa em sua pele, e eu assisti, lentamente, ele desaparecendo.
Alguns meses se passaram e as coisas ficaram mais calmas. Alex, meu namorado, estava fazendo cursos on-line, enquanto eu trabalhava para pagar o aluguel do apartamento que dividíamos. Às vezes, podíamos esquecer as coisas quando assistíamos TV juntos. Sua risada nunca mudou. Ele ficava enfurnado em seu quarto todos os dias, só saindo para comer ou usar o banheiro. A forma que eu via ele, me cortou como uma faca. Às vezes, eu ia na sua cama e deitava ao seu lado. Certa noite, ele já estava dormindo, e eu dormia há horas quando fui despertada apenas por um grito, suas mãos estavam trêmulas enquanto ele chorava.

Um dia, cheguei em casa e Alex estava num silêncio familiar, se preparando para o jantar, até que ouvi um som fraco vindo do quarto. Curiosa, eu encostei meu ouvido na porta, e que eu ouvi congelou todo o meu corpo. De algum lugar lá dentro, eu ouvia Alex, verdadeiro Alex, o velho Alex falando. Falando palavras reais, como se estivesse conversando. O choque me impediu de entrar. Minha mente freneticamente tentava racionalizar o que eu estava ouvindo. Poderia ser um vídeo antigo, mais não parecia nada ao certo. O pavor em cima de mim me disse para me afastar da porta. 

Eu tentei não pensar nisso, como nada disso ocorreu novamente na semana, eu deixei para lá. Eu tirei da minha mente até o fim de semana, quando eu acordei no meio da noite para ir ao banheiro.

Lavando minhas mãos, eu ouvi um barulho e imediatamente tive arrepios. Eu fechei a torneira e ouvi atentamente. Ela veio de novo, a voz de Alex murmurando algo baixinho, parecendo conversar com alguém no quarto. Desta vez, eu estava realmente preocupada com ele, então eu resolvi abrir uma fresta da porta, e o barulho parou imediatamente.
Alex estava exatamente onde ele estava antes, debaixo das cobertas. Talvez tivesse sido minha imaginação. Suspirei aliviada, e voltei para a cama abraçando seu corpo quente. Acabei dormindo ouvindo sua suave respiração e seu batimento cardíaco, algo sussurrou: 

"Eu te amo". Foi Alex.

Eu estava petrificada depois disso. De alguma forma, eu voltei a dormir, mas na parte da manhã saí antes de Alex ter acordado. No trabalho, eu não conseguia parar de pensar nisso. 

Eu não poderia acreditar que fosse real. Alguns dias depois disso, eu notei pequenas coisas sempre que eu estava em casa. Enquanto eu lia na sala de estar, eu ouvi um baque e mais murmúrios. Ele continuou e continuou, até que eu não podia mais deixar pra lá. Eu finalmente falei com ele sobre isso.

Eu não queria que soasse de forma ridícula. Alex já tinha enfrentado tanta coisa, eu não queria abrir mais feridas acusando-o de falar quando ele nem sequer tem uma língua. Eu me senti egoísta, mas eu tinha que fazer alguma coisa, pois eu estava com medo que eu estivesse ficando louca. Quando eu finalmente perguntei-lhe, tudo o que ele fez foi ficar em silêncio. Quero dizer, ele não usou seus grunhidos para me dar uma resposta, nem nada. Apenas sentou-se ali, me olhando, antes de se virar e bater a porta atrás de si. Eu me senti como uma idiota total. Ele provavelmente estava tão chateado com o que eu tinha acabado de dizer que ele não podia nem me responder. Eu estava sendo horrível.

Depois disso ele não quis falar comigo. Três dias se passaram, e nenhuma palavra foi dita entre a gente. O murmúrio e pancadas pararam depois disso, mas à noite, na cama, ele ficou do outro lado. Eu nem podia mais sentir o seu calor. Eu bebi e fiquei fora enquanto a minha carga de trabalho ficava mais pesada e o estresse de cuidar de Alex e tentar remendar a relação se manteve por dias.

Quando eu finalmente decidi acabar com isso e parar a frieza entre nós, e delicadamente ficar ao seu lado na cama à noite. Quando cheguei no prédio, meu sangue gelou e eu queimei com medo e preocupação. Não era ele, era um truque. Eu o procurei por todo edifício. Eu estava em pânico, tentando lutar contra as lágrimas. A polícia estava procurando por ele, e eu estava fora no ar, tentando me acalmar.

Ouvi um som que veio do beco ao lado do nosso prédio. Nosso bairro não é dos melhores, e é por isso que eu sempre tenho uma faca na minha bolsa. Eu estava prestes a ir para dentro quando ouvi uma voz.

 "Isso não é ... nós dissemos ..."

Pude ouvir tranquilamente cada palavra, mas eu definitivamente sabia a quem pertencia. Sem pensar, eu corri os degraus da escada e me virei, vendo duas figuras no escuro.

"Alex!"

Eu fui para fora, em direção ao beco. Ambos se viraram para mim. Perdi a cor depois do que vi. O da esquerda era definitivamente o meu namorado, ainda usando as mesmas roupas. A luz iluminava suas feições.

A figura da direita era mais escura, estava mais escondido da luz e era muito mais alto do que Alex, tanto que estava um pouco curvado para frente, e os seus braços balançavam pelas laterais. Quando olhei em seu rosto, a pessoa... ou qualquer coisa que fosse, eu juro por Cristo, começou a subir a parede do prédio. Não se movia como nenhum humano. Em apenas alguns segundos, desapareceu em algum lugar do telhado. Eu tremi violentamente, Alex correu e me agarrou para me impedir de desmaiar.

"O que é que foi isso?" Eu consegui gaguejar. Ele apenas me olhou nos olhos, sem expressão. 

"Você não deveria ter vindo me procurar."

Skype

Eu tenho certeza que você conhece o Skype. É um programa grátis que você usa para conversar com qualquer pessoa, por webcam ou microfone. Eu usei o Skype para manter contato com alguns amigos, já que a maioria de nós estava indo para a faculdade.

Semana passada eu estava conversando com Annie, uma garota que conheci na escola. Nós acabamos de nos mudar para nossos novos apartamentos, ambos estamos solteiros e o primeiro semestre ainda não havia começado – o que significa muito tempo para conversar. Normalmente nós conversaríamos pelo menos uma vez ao dia.

Os assuntos que nós conversávamos não eram tão interessantes: Ela havia comprado fones novos, eu assisti A Princesa Prometida pela primeira vez. Mas isso não era sobre o assunto, era apenas legal ter alguma companhia familiar para conversar, sabe?

Enfim... Era uma manhã de terça-feira e eu estive fora na noite passada, e ainda podia sentir o efeito da ressaca... Mas fui acordado com o som da chamada do Skype, me xinguei mentalmente por ter deixado o notebook ligado e levantei da cama massageando as têmporas.

“Hnnhg, oi?”

Meus olhos estavam doloridos e eu tive que lutar para me concentrar e mantê-los abertos, a luz do monitor parecia muito mais forte. Annie estava sorrindo e arrumada, exibindo seus novos fones de ouvido. Ela acenou para mim levemente, e eu tentei responder com um sorriso.

“Olha só, quanta animação.” Ela disse.

“Você deveria ter me visto noite passada, meus movimentos na pista deixaram todos no chão.”

“Isso não me impressiona... Ei, você não tem um encontro com o seu tutor hoje?”

Eu olhei para meu calendário, mas a tinta da caneta parecia correr pelo papel, então eu presumi que ela estava certa, e imaginei sair pela manhã, qualquer raio de sol por minúsculo que fosse estava fazendo meus olhos latejarem.

“Ah, que se dane,” Eu murmurei. “E você, quais são os planos para hoje?”

“Esperando uma ligação da Erin. Ela viajou ontem, deixou apenas uma carta na mesa dela, dizendo que ia visitar a família.”

“Quem é Erin mesmo?” Eu perguntei, sério. Sabe como é, seus amigos falam demais dos outros amigos e você acaba não lembrando quem é quem. Annie fez uma careta.

“Minha “vizinha”, o quarto dela é em frente ao meu. Ela simplesmente desapareceu, quer dizer... Isso foi há um dia, mas eu estava pensando em dar uma ligada para os pais dela, só para saber se ela está bem.”

Eu dei de ombros. “Melhor prevenir do que remediar, não é?”

Antes que ela pudesse responder ouvi um som de alarme, ela começou a falar várias coisas que foram abafadas pelo barulho e eu cobri minhas orelhas. “O que você disse?”

“Eu disse: É o alarme de incêndio! Eu vou lá fora só por um momento ou a supervisora vai encher muito meu saco.”

“Que horas eu posso te ligar?” Eu disse, falando o mais alto que pude, mas sem gritar. Minha cabeça ainda estava doendo.

“Não se preocupe, só vou ficar lá por no máximo cinco minutos, vou deixar o Skype aberto.”

E depois de dizer isso, ela levantou, colocando os fones na mesa e saiu do quarto. Após alguns minutos o alarme cessou.

E então a porta abriu.

Não era Annie, no entanto. Estava usando um surrado terno velho e azul; um chapéu e uma máscara feita de algum bode ou ovelha, mas meus olhos foram atraídos pelas mãos: Uma luva de borracha que parecia ter algum tipo de zíper... Eu podia imaginar essas luvas em mãos açougueiros ou pessoas que saem para caçar.

Por alguns segundos eu apenas sentei lá e fiquei me perguntando se esse era algum tipo de brincadeira que a Annie estava fazendo comigo, mas depois de alguns minutos analisando a figura, parei de pensar e resolvi fazer algo.

“O que você está fazendo? Quem é você?”

A figura não me respondeu, não podia me ouvir de qualquer jeito, os fones da Annie ainda estavam conectados no notebook. Então, ele apenas ficou lá, observando o quarto. Alguns momentos depois, começou a se aproximar da mesa enquanto eu passei a mão na minha, procurando meu celular. Eu precisava avisar Annie!

Selecionei o número dela, não tirando meus olhos da tela nem por um momento. E ele parecia me olhar de volta, quase penetrando a tela.

Conectando........

Click.

Chamando........

A figura mascarada congelou. E então, calma e lentamente esticou sua mão para o espaço fora da câmera. Eu tentei me esticar e enxergar, mas era impossível.

E então eu vi.

Estava segurando o celular da Annie – ela havia deixado na mesa.

A figura virou sua cabeça para o lado, me jogando o que eu chamaria de “olhar de piedade” antes de ignorar minha ligação e colocar algo em cima da mesa de Annie. Eu vi por apenas um momento, mas parecia um envelope.

A figura andou até o closet dela e abriu a porta, se esgueirando dentro do local um momento depois, tentando se encaixar. Por um segundo, pareceu hesitar, olhando para a webcam e encontrando meus olhos, por um momento vi sua boca e seus dentes, que pareciam esboçar um sorriso.

E então fechou a porta do closet.

Eu olhei para meu celular, eu precisava chamar a polícia, não havia duvidas, mas assim que disquei o número percebi o quão estúpido soava aquilo. A cidade de Annie estava a mais de 3000km de distância da minha, eu não poderia ajudar.

Disquei o número mesmo assim.

Conectando........

Click.

Chamando........

“Emergência, em que posso ajudar?”

“Ah sim, eu preciso relatar algo—”

Não pude completar a frase.

Não pude completar a frase porque vi Annie abrindo a porta e entrando no quarto correndo. O cabelo dela estava molhado por causa da chuva e ela sorria enquanto se aproximava da webcam. Eu gritei o mais alto que pude, ainda ignorando a dor de cabeça que senti, pedi pra ela correr e senti lágrimas quentes descendo pelo canto dos meus olhos. Ela não me escutava!

Ela se sentou e pegou os fones de ouvido, e enquanto eu gritava a porta do closet se abria.

“Senhor, em que posso ajudar?”


“Senhor, o que você precisa relatar? Você está machucado?”


“Senhor?”


Via: Creepypasta Brasil


Futurama: Not Long Enough

Até pouco tempo atrás, pensávamos que Matt Groening tinha se recuperado completamente de seja lá o que estava o fazendo agir tão estranhamente durante o incidente do Dead Bart que afetou sua vida pessoal desde então. Depoimentos recentes do funcionário que encontrou o vídeo do Dead Bart, no entanto, indicam que Matt Groening passou por um incidente similar, há dez anos.

No verão de 1999, o Futurama havia acabado de estrear. Matt estava trabalhando em duas séries e já começava a mostrar sinais de estresse, quando anunciou que estava trabalhando em outro episódio que seria 100% de sua autoria. Isso assustou alguns membros da equipe de ambas as séries, mas equipe de Futurama não viu nenhum motivo para rejeitar a ideia de Matt. Então uma versão inicial do episódio foi produzida e o funcionário que encontrou o Dead Bart conseguiu fazer uma cópia desta também, o episódio se chamava "Not Long Enough" em português "Não há tempo suficiente".

O episódio começava com Fry, Leela e Bender fazendo uma entrega para a Planet Express. Ninguém revelou exatamente o que eles estavam entregando ou aonde estavam indo, e todo mundo parecia bem chateado por causa de algum evento sem explicação que acontecera recentemente. Leela e Bender estavam com raiva de Fry, que ficava se desculpando, mas era friamente rejeitado pelos amigos.
Eles acabaram chegando a um planeta que parecia possuir apenas casas rodeadas por campos vazios e desolados por todos os lados. Eles bateram em uma porta e um alienígena grotesco que parecia ser bem velho os atendeu. Ele pegou a encomenda sem dizer uma palavra. Abriu-a, tirou dela uma faca, e então se esfaqueou.

A tripulação da Planet Express não pareceu achar isso estranho ou chocante; eles simplesmente deixaram o corpo no chão e voltaram em silencio à nave. A próxima cena mostrava a nave da Planet Express vagando no espaço. Uma música dissonante feita por instrumentos extremamente agudos tocando em um passo muito lento tocava no plano de fundo enquanto a nave vagava por um negro e vazio espaço.

Eles finalmente chegaram à Terra onde aterrissaram em uma Nova Nova York deserta. Fry começou a se desculpar novamente enquanto os três andavam pelas ruas vazias (não havia sinal do prédio da Planet Express), mas Leela e Bender olharam-no em silêncio. Fry desistiu e se separou de seus amigos. Ele andou por um bom tempo, sem nunca encontrar uma única pessoa.

Chegou então ao edifício de criogenia onde foi congelado, olhou o interior, e começou a chorar. O choro continuou por alguns minutos antes que ele entrasse no prédio. Fry entrou em um dos tubos, ajustou o timer em um número gigantesco com mais zeros do que eu podia contar, e nele se trancou. A tela escureceu e quando voltou, a imagem estava inteiramente em Fry. A máquina deve ter parado de funcionar parcialmente, pois partes de Fry estavam decaindo; ossos estavam atravessando sua pele em vários lugares. Fry murmurou, "é o que eu mereço", e saiu do dispositivo criogênico.

Ele se encontrava em um lugar surreal, indescritível. Nele havia uma grande variedade de formas e cores, mas não era nada claro ou fantástico. Era como as cores que você enxerga quando fecha os olhos com muita força. Fry começou a andar, o vazio surreal em que ele estava continuava indefinidamente. Continuou a andar por alguns minutos. As cores continuavam a criar formas até que discerníveis, mas nenhuma delas era agradável de se olhar. Após sua longa caminhada, Fry encontrou uma fotografia no chão. Esta estava em um contexto completamente diferente deste ambiente; parecia algo desenhado no estilo comum de Futurama. Era um foto dele, Leela e Bender. Fry a olhou por alguns segundos antes de começar a chorar novamente. Logo, a fotografia se tornou pó e Fry continuou a vagar.

A imagem foi se distanciando até que Fry não pudesse mais ser visto e todas as cores se misturassem em negro. A imagem continuou a se distanciar e vimos que o negro era apenas um minúsculo fragmento da pupila de um de seus olhos. Seu corpo congelado caiu da unidade criogênica e ficou parado em uma sala abandonada.

Bender e Leela entraram no aposento. Eles viram o que Fry fez consigo mesmo e Leela disse, "ele teve o que mereceu". Então olhou em seu relógio e falou que estava na hora de sua próxima entrega – tirou uma faca de seu bolso, colocou-a em uma caixa de papelão e foi até a nave.


Via: O Pior dos Cartoons


Eu era uma das "Solteiras Gostosas Perto de Você"

Se você já visitou algum site com conteúdo pornográfico, deve conhecer aquelas propagandas no estilo "solteiras gostosas perto de você". Naturalmente, sabe também o quão falsas são essas propagandas - as mulheres que aparecem nas fotos não estão perto de você, só são fotos tirados de sites de prostituição estrangeiros. provavelmente você sabe disso tão bem que não perde seu tempo clicando nessas publicidades.

Entretanto, se você clicar, uma janela de chat se abre e você pode escolher com qual garota quer conversar. No começo, o chat é de graça, mas depois de um tempo você tem que se cadastrar para continuar usando. Então tem que pagar por cada minuto em que estiver falando com uma das garotas que escolher.

Eu sei disso porque sou uma dessas garotas.

Seis anos atrás eu era um estudante sempre sem dinheiro. Meu amigo Josh disse que tinha descoberto um jeito super fácil de conseguir dinheiro. "Não é como se você fosse uma prostituta, ou algo do tipo. É completamente anônimo, eles não sabem com quem estão falando. Na verdade, metade de nós somos homens! Você só tem que fingir que é uma garota. Até que é bem divertido. E as empresas pagam bem, você pode trabalhar direto da sua casa e escolher quantas horas por semana quer trabalhar. Tudo que tem que fazer é conversar sacanagens com caras que nunca vai conhecer na vida real."

No começo eu não estava gostando muito da ideia. Sentia que estava trapaceando. Mas então me perguntei se alguém realmente achava que "solteiras gostosas perto de você" era real. Claro que não. Era tudo uma fantasia. Como se estivesse escrevendo um conto erótico em tempo real. E ser pago pra isso. Então deixei Josh me inscrever.

O sistema era simples. A primeira conversa, a de graça, era automática. Depois que o usuário se inscrevia e começava a pagar, conversava com uma pessoa real (nós, no caso). Nosso trabalho era fazer com que eles ficassem online o maior tempo possível.

No começo era bem divertido. Eu me tornava bem criativo enquanto interpretando "Sally" (uma universitária tímida que estava desesperada por dinheiro), "Kaylee" (uma garota nerd com óculos, muito safada e flexível), e "Rhonda" (uma garota negra gordinha, apaixonada e maternal).

Era hilário e logo parei de sentir vergonha por estar fazendo aquilo. Claramente, meus clientes estavam gostando, e como eu ficava anônimo, não sofria risco nenhum de ferrar com minha carreira futura - com toda certeza não colocaria esse emprego nos meus currículos seguintes. O dinheiro era bem interessante, assim como Josh já tinha me avisado, e como eu podia escolher os horários em que trabalhava, achei ser uma escolha perfeita para alguém como eu, que estudava bastante também.

Mas obviamente existiam pontos ruins. Como você pode imaginar, alguns caras não pegavam leve. Eu não era virgem, mas tive que explorar coisas que eu nem sabia que existia. Haviam alguns que eram extremamente violentos, aqueles que queriam machucar sua parceira (ou ser machucado). Daí existiam caras que queriam que eu interpretasse uma menina de 13 anos. E outros que ainda gostavam de coisas bem mais doentias.

Não acho que seja legal eu reescrever essas coisas aqui, mas quero que você saiba que nem sempre foi um mar de rosas. Algumas conversas eram bastante desconfortáveis e algumas vezes eu não sabia se devia deslogar, dispensar o cliente ou continuar. Mas insistia em falar para mim mesmo que era apenas um tipo de jogo, um jeito inofensivo desses caras realizarem suas fantasias. Era só conversa, eles não estavam machucando ninguém de verdade. As vezes fazia esse tipo de "programa", e o quanto mais eu fazia, mais fácil ficava. Me impressionei comigo mesmo quando me encontrei conversando casualmente sobre sexo com facas e sobre chutar as bolas de outro cara para gerar prazer.

Depois de um ano nesse emprego era muito raro ficar surpreso com alguma coisa. Haviam três tipos principais de clientes: a maioria queria conversar sobre putaria "normal", os solitários que estavam mais precisando de um amigo ou terapeuta (conversavam sobre coisas do cotidiano) e os que eram muito pervertidos. Logo aprendi a lidar com todos eles.

Entretanto, um cara realmente estranho apareceu. Ele não parecia se encaixar em nenhuma das categorias acima. Ele não queria conversar sobre sexo, mas também não se encaixava nos caras solitários. É muito difícil descrevê-lo, então vou tentar reescrever um pouco do que lembro da nossa primeira conversa. Ele se chamava "O pescador". Ele sempre queria conversar com "Rhonda":


Eu: Oi querido. É a Rhonda aqui, como você está?
Ele: Fale comigo.
Eu: Okay... O que você tem em mente? ;)
Ele: Apenas converse comigo. Não aguento mais essa casa. Não aguento mais essas vozes. Apenas fale qualquer coisa.
Eu: Bem... Você está afim de que? Está bem quente aqui ;) Quer saber o que eu estou vestindo?
Ele: Não! Não. Só... Fique aqui. Por favor.
Eu: Okay, querido. O que aconteceu? Você está bem?
Ele: Não, eu não estou bem. São essas pessoas. Eles fazem tanto barulho! Não aguento mais.
Eu: Então... você tem colegas de quarto barulhentos?
Ele: Sim! Só quero silêncio. Só quero a porra do meu silêncio.
(Nesse ponto eu estava bastante confuso, mas continuei).
Eu: Talvez você devesse conversar com eles? Falar que você precisa de um pouco de privacidade.
Ele: Não consigo me livrar deles. Sempre tem alguém.

E continuou assim. Logo desenvolvi a ideia de que provavelmente ele não estava completamente são. Pessoas loucas de verdade eram raras nas conversas, mas não inexistentes. Eu não me qualifico como terapeuta, mas dava o meu melhor para fazê-los se sentirem bem.

O Pescador voltava sempre. Eu o reconhecia pelo jeito que escrevia. Usava o chat por horas (nessa época eu comecei a me sentir mal, essa pessoa estava claramente doente e eu estava usando-o em um site pornô para conseguir dinheiro), sempre falando sobre querer silêncio e as pessoas barulhentas em sua casa. Comecei a pensar que não existia ninguém na casa dele - provavelmente era coisa da cabeça dele.

O Pescador virou um cliente tão assíduo que raramente tinha tempo para outros. Ele agendava com Rhonda por horas a fio. Parecia também que não conversava com nenhum outro funcionário além de mim - mesmo quando eles estavam interpretando Rhonda. De algum jeito ele me reconhecia e deslogava quando percebia que era outro funcionário dizendo "Você não é a Rhonda!". Josh começou a fazer piadas dizendo que O Pescador estava perdidamente apaixonado por mim, mas eu não via graça nenhuma naquela situação. Meu trabalho não era mais divertido, tinha me tornado um terapeuta pessoal para uma pessoa aleatória. Perguntei para meu patrão se poderia parar de interpretar Rhonda, mas O Pescador estava dando muito dinheiro para o site e insistiu que eu continuasse.

Então continuei. E para meu pavor, descobri que estava desenvolvimento algum tipo de sentimento por ele. Não algo romântico, nada desse tipo. Mas me pegava pensado quem ele era. Acho que não é possível passar hora e horas conversando com alguém sem criar algum tipo de conexão. Mas ao mesmo tempo conversar com ele me deixava tenso, e ficava feliz por ser apenas "Rhonda" para ele.

Essa foi uma das últimas conversas que tive com ele:

Ele: Não sei como me livrar deles. Não tenho saída. Só quero que vão logo embora.
Eu: Ouça, querido, acho que essas pessoas que você tanto fala... Não acho que sejam reais.
Ele: Eles não são reais?
Eu: Não. Acho que você os inventou. E se eles estão só na sua cabeça, você pode só parar de pensar neles, daí vão desaparecer!
Ele: Posso fazê-los desaparecer?
Eu: Sim, você pode.
Ele: E isso é o que você quer que eu faça, Rhonda? Que eu faça eles desaparecerem?
Eu: Se isso te fazer feliz, sim, querido.
Ele: Você está certa. Posso me livrar deles. Posso fazê-los desaparecer. Eu posso. Obrigada, Rhonda. Eu te amo, Rhonda.
Eu: "Amar" é uma palavra muito forte, querido.
Ele: Vou fazê-los desaparecer agora mesmo.

Ele deslogou. Foi o tempo mais curto que tinha ficado conversando comigo. A conversa me deixou estranhamente preocupado. Sabe, aquela sensação que você sente que fez algo muito errado, mas não consegue definir o que? Me sentia exatamente assim.

Mais tarde naquele mesmo dia ele entrou novamente. Foi a última conversa que tive com ele. E também a última de todas - me demiti logo em seguida.

Ele: Rhonda... O que eu fiz? O que você fez? Por que você me falou para fazer isso?
Eu: Que? Do que você está falando?
(Eu estava tão apavorado que nem entrei no personagem)
Ele: Eu matei todos eles... como você disse que eu tinha que fazer... agora estão todos mortos.
Eu: Não entendi.
Ele: Eles não paravam de falar, depois não paravam de gritar. Continuei e continuei até que eles pararam. E agora só tem silêncio... finalmente meu silêncio.
Eu: Isso está me deixando desconfortável. O que você fez?
Ele: Eu os matei que nem você falou que eu devia fazer. E agora tem sangue pra tudo quanto é lado. Matei minha mulher e meus filhos. Porquê você mandou. É sua culpa.
Eu: Para com isso.
Ele: É sua culpa. Você fez isso. E você vai pagar. Você vai pagar, porra! Rhonda! Vou te encontrar e você vai pagar por isso!
Eu: Vou sair agora.
Ele: Não tente escapar. É sua culpa. Você me fez fazer isso. Esse era seu plano desde o começo. Você que me colocou contra eles. Você fez isso. Você fez isso. Você. Vou te encontrar e fazer você pagar por isso.

Me desconectei. Liguei para Josh e para meu chefe imediatamente e disse que estava me demitindo. Contei honestamente o que tinha acontecido e também que dentro de nenhuma circunstancia eles poderiam dar minha identidade real para ninguém. Fiquei em pânico e Josh teve que vir até minha casa para me acalmar, me assegurando que O Pescador não poderia me encontrar nem se fosse um super hacker, pois meu nome não estavam em nenhum lugar do site.

Meu chefe também me assegurou que a companhia era bem rigorosa com o anonimato de seus empregados. Volta e meia os clientes contatavam a empresa tentando descobrir os nomes reais das pessoas que tinham conversado, mas eles nunca falavam. Faziam isso tanto pela privacidade do empregado e para não quebrar a "ilusão" que o site criava. Meu chefe me explicou diversas vezes que era totalmente seguro e que sentia muito por eu ter que ter passado por aquilo. Ele não queria que eu me demitisse e perguntou se eu queria ficar e apenas não fazer mais o papel de Rhonda, mas eu não quis.

Eu não conseguia parar de pensar no O Pescador e se ele tinha realmente matado alguém, ou se talvez aquilo fosse apenas uma piada de mal gosto. Talvez esse tipo de coisa o excitava? Josh falou que provavelmente era isso mesmo. Fiquei acompanhando os jornais naquela semana, mas nenhum homicídio que foi noticiado se encaixava naquela situação. Considerei ir até a policia, mas eu não sabia nada sobre aquela pessoa. Poderia ser qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Talvez nem estivesse no mesmo país que eu? Ele poderia ser Chinês pelo o que eu sabia.

Uma coisa era certa: Se O Pescador tinha matado alguém, fez de um jeito que não chegou a ser noticiado aonde eu morava. Tentei até procurar no Google coisas como "assassinato de família" naquele dia, mas não achei nada. Josh continuou a trabalhar no site e volta e meia eu perguntava se O Pescador tinha voltado, mas estava desaparecido. Fiquei feliz que aquilo tinha acabado, e com o tempo deixei isso para lá.

Fiquei sem pensar no O Pescador por anos. Até que ontem aconteceu uma coisa que fez isso tudo voltar a minha mente.

Depois de um longo dia de trabalho decidi ir no cinema, sozinho. Só queria um tempo para mim mesmo, sendo que tinha terminado um relacionamento a algumas semanas e tudo estava bastante confuso desde então. Escolhi um filme que já estava a algum tempo em cartaz, assim a sala não estaria cheia. Tive sorte - estava quase vazio quando entrei. Escolhi o melhor lugar (última fileira bem no meio), e comecei a tirar minha jaqueta quando um cara veio até mim.

"Esse lugar está vago?" Falou. Pelo sotaque, pude perceber que ele era estrangeiro. Estava bastante escuro na sala, então não tive como avaliar seu rosto para ver de onde ele parecia ser ou quantos anos tinha.

Fiz que sim com a cabeça e ele se sentou. Fiquei um pouco irritado, o cinema estava quase todo vazio e nesse momento estava afim de ficar sozinho. Tinha que se sentar bem do meu lado? Havia um monte de lugares. Então ele falou de novo.

"Você gosta de filme de terror?"

Sendo que não estava com vontade de fazer amizades naquele momento (e parecia que ele estava dando em cima de mim), educadamente falei que gostaria de ficar sozinho. Ele não respondeu, só pegou um pedaço de papel do seu bolso e começou a escrever ( o que achei ser um número de telefone). Então colocou o pedaço de papel no bolso da minha camisa (o que achei bastante invasivo) e saiu andando. Foi bem estranho. Não mudou de lugar, simplesmente foi embora do cinema. Não assistiu o filme.

Fiquei bastante irritado com aquela situação, mas assim que o filme começou esqueci completamente. Só lembrei novamente do cara esquisito que havia me dado seu número quando cheguei em casa. Peguei o papel do meu bolso para jogar fora, mas antes percebi que não havia números e sim uma frase.

"Te achei, Rhonda. E vou te achar de novo."


Via: Creepypasta Brasil


 
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